segunda-feira, 12 de maio de 2014

Gravidez na França - o primeiro trimestre

Passada a euforia da descoberta, começa a bater o desespero. O que sabemos sobre maternidade/paternidade? Nada! E não temos a menor ideia de por onde começar. Viver essa experiência em um pais estrangeiro também não facilita muito as coisas...

Por motivos obvios, eu não sei como é ter filhos no Brasil, mas imagino que quando uma mulher se descobre gravida, a primeira providência é marcar uma consulta para confirmar a gravidez, realizar os primeiros exames e receber desde o comecinho todas as instruções para que ela tenha uma gravidez saudavel. Acontece que, como todo mundo sabe, eu não moro no Brasil. E as diferenças começaram a surgir muito antes do que eu imaginava, logo que liguei para tentar marcar essa primeira consulta com o meu ginecologista daqui:

- Bonjour, madame, gostaria de marcar uma consulta. Estou gravida. 
- De quanto tempo?
- Duas semanas.
- Ok, esta marcada para abril.
- Abril??? Mas abril é daqui 3 meses!
- Isso mesmo. E não se esqueça que a senhora precisa escolher uma maternidade e se inscrever o mais rapido possivel se quiser garantir uma vaga. Au revoir!

Tum-tum-tum...

Ficamos la, eu e a minha cara de pastel, penduradas no telefone por alguns minutos repassando aquela conversa surreal até eu me convencer que o problema não era o meu francês, ela realmente havia dito abril. Quem me acalmou foi a minha comadre, que teve o meu afilhado aqui em Lyon e esta no final de uma segunda gravidez em Paris, me dizendo que na França é assim mesmo: "A possibilidade de um aborto nos três primeiros meses é muito grande, então eles so te consideram realmente gravida depois desse periodo. Até la, você vai se sentir meio abandonada, mas vai ver que depois eles cuidarão muitissimo bem de ti".

Quando você descobre que todos os gastos médicos com a gravidez (exames, consultas, internações e partos) são totalmente gratuitos para qualquer mulher gravida na França (seja ela francesa ou não), fica mais facil entender e aceitar que em um lugar onde o sistema publico é acessivel e de qualidade, ele precisa de certas regras para continuar funcionando. E não é assim porque é publico, não. Ao contrario do Brasil, onde quem pode pagar consultas particulares consegue ser atendido antes, aqui na França as regras são as mesmas para todo mundo. O meu médico, por exemplo, atende no publico e no privado (que, no meu caso, também sai de graça porque eu tenho um bom seguro de saude que reembolsa a diferença que o governo não paga), e mesmo assim eu não consegui uma consulta antes da 12a semana. Tive que acalmar meu coração e dançar conforme a musica.

Quer dizer, tive mais ou menos, né? Porque eu acabei driblando o sistema.

O carnaval estava chegando e a nossa ida para o Brasil ja estava programada ha algum tempo. Embora eu tivesse apenas um mês de gestação, Léo e eu sabiamos que aquela seria a nossa unica chance de dar a noticia pessoalmente para a familia e receber os abraços dos nossos queridos. Abraço em vida de expatriado so não vale mais que coxinha frita na hora, ainda mais quando se mora na França!

Procuramos o nosso médico de familia (aqui temos um médico generalista que sempre nos atende antes de nos encaminhar para um especialista) e falamos da viagem. Ele proprio sugeriu que fizéssemos um ultrassom para ter certeza que o ovulo fecundado estava bem implantado, que estava tudo bem com o bebê. Mas foi uma exceção. De maneira geral, os pais so vão ouvir o coração do bebê na primeira ecografia, realizada entre a 11a semana e a 13a. Se for uma gravidez normal, 3 ultrassons serão pagos pelo governo (3°, 5° e 7° mês), mas pode variar em gravidez de risco. Os pais também podem fazer outros sem pedido do médico, claro, mas terão que pagar do proprio bolso.


E é basicamente isto. No primeiro trimestre, precisamos apenas nos preocupar em controlar a ansiedade e resolver duas tarefas administrativas. A primeira é escolher a maternidade, se inscrever e torcer para sermos aceitos - o que fizemos logo que soubemos que estavamos gravidos. A segunda é enviar a déclaration de grossesse (declaração de gravidez) fornecida pelo médico depois da ecografia de 12 semanas. Este documento que comprova a gravidez vai garantir o acesso às vantagens socio-econômicas aos quais as gravidas têm direito (falarei mais sobre isso em outro post).

Como se vê, os 3 primeiros meses foram bem tranquilos por aqui. Não tive nada de enjoos, nem desejos, insônia ou dores de cabeça. Alias, não tive dor em canto algum! So sentia que estava realmente gravida porque o meu apetite triplicou. Agora, se você perguntar ao Léo o que o fazia ter certeza de que ele seria pai, não tenho duvidas que ele vai dizer que eram as alterações nada sutis no meu humor.







PS: Como não sei muito bem como funciona todo o processo médico relacionado à gravidez no Brasil, vou adorar se alguma mamãe ou algum papai quiser compartilhar comigo experiências e informações. O atendimento no sistema publico é muito diferente para o particular? Sinta-se à vontade para papear! A caixa de comentarios esta aberta pra isso!  :)



segunda-feira, 5 de maio de 2014

A descoberta

14 de fevereiro, dia dos namorados na França. Me levanto e logo percebo que o nosso trato de não trocarmos presentes havia sido descumprido - como todos os anos, alias. Em cima da mesa, flores, cartão e uma caixinha com os melhores macarons da cidade. Mulher de palavra que sou, não havia comprado nada pra ele.

O mais romântico aqui em casa sempre foi o Leonardo, so que desta eu vez eu estava disposta a surpreendê-lo. Com duas semanas de atraso, senti que aquele era o dia certo para fazer o teste. Entrei no banheiro e custei para sair quando a segunda linha foi aparecendo. Sozinha em casa, chorei. Estavamos tentando engravidar ha algum tempo e cada teste negativo abria espaço para o desânimo. Ao ver o resultado positivo, senti que ia explodir se não contasse pra alguém. Mas quem poderia me acalmar como uma mãe, me parabenizar como uma amiga e, ao mesmo tempo, me aconselhar com suas experiências? Alguém que ja tivesse passado por aquela situação um punhado de vezes, claro! Foi ai que eu mandei uma mensagem pra Karine, blogueira e mãe de quatro.

A resposta foi imediata, cheia de ternura e apoio. Contente por ter dividido a novidade, me acalmei e pude pensar na melhor maneira de contar ao Léo que ele ia ser papai. Tomei o meu café da manhã, comi um macaron, depois mais outro, e... bingo!, encontrei o que eu precisava! A caixinha dos macarons era do tamanho exato do teste de gravidez. Comi tirei todos macarons de la, coloquei o bastonete e deixei em cima da mesa. 

Ao final do dia, Léo me buscou no trabalho trazendo com ele mais um presente (desta vez, um tênis encomendado de Londres que eu estava querendo ha muito tempo), me obrigando a fazer o tipo desconsolada por não ter nada especial para dar em troca. Chegando em casa, preparamos o jantar juntos, como fazemos todas as noites, e so depois do banho é que me deitei no sofa e pedi pra ele pegar a caixinha de macarons que estava em cima da mesa. "Oba, sobremesa!", pensou. Tadinho! Levou alguns segundos para substituir a cara de decepção ao não encontrar nenhum macaron la dentro pela alegria de entender o que diabos aquele pauzinho estava fazendo ali. Expressões que eu nunca vou esquecer (até porque eu tenho isso em video, mas estou guardando para usar em caso de chantagem)!

Dormi como um anjo naquela noite - por me descobrir mamãe, mas também por saber que este ano quem deu o melhor presente de dia dos namorados fui eu.




quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tudo novo. De novo. O novo.

Apesar de ter prometido a mim mesma que este ano eu não deixaria o blog tão abandonado quanto no ano passado, tenho tido pouca vontade de escrever aqui. Não sei se porque em quatro anos a maneira de blogar mudou muito e eu simplesmente não me adaptei, ou se quem esta diferente sou eu. Minha unica certeza é que ja não tenho mais tanta necessidade de compartilhar descobertas, viagens e, principalmente, a minha vida. Talvez os muitos blogs inspiradores que venho descobrindo nos ultimos tempos tenham me mostrado que a minha rotina não é tão excitante assim. Até sento para escrever quando vivo algo diferente, mas, logo penso: "e isso vai mudar a vida de quem?". Então, eu fecho o computador e abro um livro. 

Você não imagina quantos posts não terminados eu tenho aqui!

O desânimo com a vida de blogueira é tanto, que nem mesmo o mais feliz dos acontecimentos me motivou a publicar. Venho guardando comigo um segredo que, dois anos antes, eu teria compartilhado tão logo eu visse a segunda linha aparecendo no exame.


Nessas 14 semanas em que ja somos três, pudemos digerir bem a novidade e receber os abraços dos mais proximos quando estivemos no Brasil para o carnaval. De la pra ca, me questionei muito sobre o futuro do blog. Continuo escrevendo apenas sobre viagens? Faço um outro blog sobre maternidade? Deixo pra la esse mundo virtual e me concentro apenas no bebê? 

Se eu publiquei este post, é porque ja tenho a minha resposta.

Quando eu cheguei na França, ha quase 5 anos, eu não tinha amigos. E não podia sequer procura-los porque no meu vocabulario faltava um simples bonjour. Eu não sabia que quando francês diz que algo "não esta ruim" (pas mal), ele esta, na verdade, fazendo um elogio. Não entendia porque as mulheres não tiravam os esmaltes, pouco se lixavam para chapinha, nem eram paranoicas com depilação, até cortar o meu cabelo joãozinho. Precisei de 7 longos meses gelados para entender porque eles ficam adoravelmente gentis no começo da primavera. E so entendi o valor de uma manifestação quando comecei a fazer parte delas. 

Para escrever o ultimo paragrafo eu precisei reler alguns dos meus textos. Visitei o meu passado e percebi que ele é cheio de falhas. Ao invés de vergonha, senti orgulho de ver que amadureci e que sou hoje mais culta, menos vazia e mais engajada do que era cinco anos atras. Não fosse o blog, talvez eu não pudesse fazer esse tipo de avaliação. Portanto, continuarei! A blogosfera segue se transformando, mas eu decidi manter um estilo simples, honesto e muito pessoal para dividir com os leitores essa nova e emocionante etapa da minha vida. Sera que ainda tem alguém por ai me acompanhando? :)



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O sonho da casa propria

Léo e eu adoramos o nosso cantinho porque, apesar de pequeno, é a nossa cara. Cuidamos com carinho de cada ambiente garimpando durante as nossas viagens peças que dão mais personalidade aos moveis Ikea na nossa sala. Mas um dos principais motivos de gostarmos tanto de morar neste apê é saber que, se der vontade, basta embalar tudo e devolver as chaves.


A unica vez que cogitamos parar de viajar para investir em um apartamento foi logo depois que nos casamos. Nessa época eu descobri que comprar a casa de um velhinho e ficar torcendo para ele morrer rapido era a opção mais em conta para casais que, como nos, não possuem economias para investir na casa propria. 
 
Eh a tal venda en viager, onde os proprietarios (geralmente idosos viuvos e sem filhos ou familia) vendem seus imovéis por preços bem abaixo do valor de mercado. Bem abaixo mesmo! Um apartamento avaliado em 580 mil euros, por exemplo, sai por 236 mil euros de entrada + mensalidades de 500€ se for comprado en viager. Ou seja, você compra, mas não leva - não imediatamente. E é ai que entra a parte chata da historia: ficar torcendo para o proprietario bater as botas para, finalmente, poder se instalar no seu doce lar.

Antes que você pense: "Credo! De onde foi que os franceses tiraram essa ideia?", eu explico que francês é pratico. Criaram o viager porque, acredite ou não, tinha gente morrendo por aqui e deixando imovéis carissimos pro governo - simplesmente por não terem herdeiros. Dai surgiu essa proposta, que permite que familias invistam nas suas casas proprias, mas que, ao mesmo tempo, garante uma vida mais confortavel para os aposentados. Ambos se beneficiam porque o aposentado, além de levar a bolada da entrada e receber uma quantia todos os meses, tem garantido o direito de continuar no imovel até morrer. E o comprador, bom, o comprador pode economizar até 50%.

Outro dia assisti a uma reportagem sobre um senhor de 80 e poucos anos que vivia sozinho por não ter se casado nem tido filhos, e que recebia uma aposentadoria de 400€ por mês (muito baixa, visto que o salario minimo na França é de 1.430€). Um caçador de imoveis descobriu o cara e, ao visitar a casa dele, a avaliou em 800 mil euros! Propôs então que ele a vendesse pela metade do preço, cobrando uma entrada de 200 mil e o resto em prestações de dois mil euros por mês. Sua renda mensal passou de 400€ para 2.400€! Sem falar no dinheiro da entrada, que ele decidiu gastar viajando. Ja o comprador... bom, este deve fazer mandinga todo mês.

O viager é, acima de tudo, um enorme risco para quem compra. Afinal, você não sabe quantos anos o proprietario ainda vai viver. Tem um caso famoso aqui na França que faz a gente pensar duas vezes antes de investir num negocio desses. Jeanne Calment, uma viuva de 90 anos e mãe de dois filhos ja falecidos, vendeu a sua casa para um casal (o homem tinha 47 anos na época) e recebia todos os meses uma boa quantia. Trinta anos depois, quando o comprador faleceu aos 77 anos, a danada continuava viva e esbanjando saude. A esposa do comprador teve que continuar pagando as mensalidades até que Jeanne falecesse, aos 122 anos de idade! No final, a casa custou duas vezes o valor negociado.

Azarada que sou, sei que também vou me dar mal se fizer este tipo de investimento, mas me divirto olhando os anuncios de viager no jornal. Além da descrição tradicional, tem também a idade dos proprietarios: "2 quartos em Paris, 60m2, vista para a Torre, homem de 78 anos". So falta o historico médico, facil de descobrir visitando o apartamento e batendo um papo com o dono. Para mostrar que o apartamento é um otimo negocio, os proprietarios contam com que frequência vão ao hospital e os problemas de saude que andam tendo... como se dissessem: ja tive dois infartes nos ultimos anos e o meu colesterol esta explodindo, amigo! Pode assinar o contrato que você vai se dar bem!

Você assinaria?

 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um roteiro de cinema em Lyon

Eu moro num bairro meio afastado do centro, o que não é de todo mau. Tem comércio, bons restaurantes, metrô. Às quartas, tem uma feira orgânica e, aos sabados, a tradicional - com barracas de cacarecos e livros que eu adoro garimpar.

Mas até pouco tempo eu pensava que, turisticamente falando, o 8ème não era um lugar interessante. Quando recebia visitas, corria para o centro da cidade. So que isso começou a mudar. Passei a dividir o meu tempo livre entre os bairros mais tradicionais e o meu. E foi nesse ajuste que finalmente eu pude visitar o museu-simbolo de Lyon, ao lado de casa.


Não gosto de classificar passeios como "obrigatorio" ou "imperdivel", mas me permito a escorregada para dizer que estes adjetivos se aplicam perfeitamente ao Museu Lumière, principalmente para os cinéfilos que sonham visitar o local onde foram rodadas as primeiras cenas da historia do cinema e conhecer a casa e a vida dos irmãos franceses que inventaram a sétima arte.

Se identificou? Então este é um programa para fazer assim que você colocar os pés na cidade - antes mesmo de seguir este roteiro aqui


O passeio ja começa ao descer na estação de metrô Monplaisir Lumière, toda decorada em homenagem aos irmãos Lumière. A casa que abriga o museu, construida em 1899 para ser a residência da familia, é apenas uma das boas surpresas do passeio. Fiquei encantada com o estilo art nouveau e art déco da casa, que mais parece um pequeno castelo.


Museus de cinema existem no mundo todo, mas nenhum outro, além do de Lyon, exibe itens tão importantes como o primeiro cinematografo da historia - um aparelho capaz de projetar sequências de imagens dando a impressão de movimento, inventado por Louis Lumière. Mas não é so isso. O museu também possui em sua coleção outras grandes invenções dos irmãos franceses, como o autocromo, a primeira técnica industrial de fotos coloridas, muito usada nas fotos da Primeira Guerra Mundial.


Em duas horas é possivel visitar as diversas salas interativas do museu e também as salas de exibição onde podemos assistir a alguns dos filmes mais antigos do cinema. Além disso, o museu/cinemateca possui um jardim lindo que vive cheio no verão, onde estão dispostos painéis que contam um pouco das invenções malucas dos irmãos Lumière.

Mas o lugar mais importante para os amantes do cinema talvez seja o antigo galpão da fabrica da familia Lumière, que fica atras do jardim. Foi exatamente ali, na rue du premier-film, a rua do Primeiro Filme, que foram rodadas as primeiras cenas do cinema, num filme dirigido por Louis Lumière ("A saida dos operarios da fabrica", em português), utilizando o cinematografo. O que resta do cenario original são as vigas de madeira que ficavam no teto da fabrica. No lugar da antiga fabrica, existe hoje uma sala de cinema que exibe durante o ano todo filmes franceses e estrangeiros que entraram para a historia.


Mas o passeio não termina aqui. Para continuar no universo dos irmãos inventores do cinema, sugiro uma pequena caminhada até a Avenida des Frères Lumière para conhecer o mais novo restaurante do Paul Bocuse, o Marguerite. O chef de cuisine francês mais famoso e respeitado do mundo escolheu a chef brasileira Tabata Bonardi para ser a responsavel pela cozinha do seu novo empreendimento.


A casa onde Auguste Lumière viveu com sua esposa Marguerite foi toda renovada para abrigar o restaurante, mas conservou o seu estilo art nouveau (dizem que investiram 3 milhões de euros na reforma). A proposta é revisitar pratos tradicionais franceses; o resultado é uma comida saborosa em um ambiente refinado, mas não a ponto de causar desconforto. Foi por ter comido muito bem la, mas também por ter me sentido tão à vontade, que este se tornou um dos meus restaurantes preferidos em Lyon.

No almoço, um menu com entrada + prato + sobremesa custa 28,60€. No jantar, o menu Lumière sai por 42€. Consulte os menus aqui e lembre-se de reservar antes. 


O meu bairro guarda ainda uma ultima surpresa, que vai fazer você me agradecer por ter te convencido a deixar o eixo turistico do centro da cidade para descobrir pequenas delicias do cotidiano lionês.

Depois de visitar o museu, se não conseguir uma reserva no Marguerite, siga caminhando pela Avenida des Frères Lumière por dois quarteirões, até o numero 174. Não resista ao convite da vitrine discreta e apetitosa do artisan chocolatier François Gimenez. Entre e escolha alguns chocolates para levar ou uma das sobremesas, caso consiga escolher apenas uma. O lugar conta com os talentos do Joffrey Lafontaine, membro da equipe vencedora da Copa do Mundo de Patissêrie em 2013.


Dez minutos de metrô te separam do museu mais importante da cidade, do restaurante mais badalado do momento e dos melhores doces de Lyon. E eu achando que meu bairro era sem graça...




Museu Lumière
Metrô: linda D, estação Monplaisir Lumière
De terça a domingo, das 10 às 18h30
Tarifa: 6,50€

Restaurante Marguerite
57, avenue des Frères Lumière
Aberto todos os dias, das 12 às 14h e das 19 às 22h30
Telefone: 04 37 900 300

François Gimenez
174, avenue des Frères Lumière
Aberto de terça a sabado, das 8 às 19h15 e aos domingos, de 8 às 12h.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

9 coisas para NÃO fazer em Lyon

O que não falta neste blog são dicas de Lyon. Ja escrevi sobre os meus cafés preferidos, sobre museus, expliquei como funcionam as bicicletas publicas e montei um roteiro com nossos cantinhos preferidos sem deixar de fora os principais pontos turisticos da cidade. Uma pesquisa rapida e você sabera o que fazer em Lyon. Mas nenhuma to-do list garante uma viagem redonda. Para evitar dor de cabeça é preciso estar alerta. Saiba, portanto, o que NÃO fazer em Lyon:

1. Não passe apenas um dia na cidade:

Lyon fica a 2 horas de trem de Paris, o que faz qualquer um cair na tentação do "vou bem cedinho e volto no ultimo TGV". Não, caro turista, você não quer fazer isto. Além de muito cansado, você partira com a sensação de ter deixado de conhecer os segredos da cidade. Pelo menos dois dias inteiros é o que eu recomendo para quem vem pela primeira vez.


2. Não se hospede fora do centro: 


Lyon é enorme e, ao mesmo tempo, um ovo. A parte turistica da cidade se resume à Presqu'île e à Velha Lyon. Se hospedar fora dali é ter que pegar transporte e se privar de dar aquela passadinha no hotel depois do almoço. Uma economia que não vale a pena.


3. Não visite a Fête des Lumières no sabado:


Muita gente coloca Lyon no roteiro por causa da Festa das Luzes, a mais importante da cidade e uma das mais bonitas da França. São 4 dias de festa, sempre em torno do dia 8 de dezembro. Evite vir no sabado. Das 3 milhões de pessoas que visitam Lyon durante a festa, pelo menos 1/3 vem no sabado. Caminhar de uma instalação à outra vira um desafio e a noite, que deveria ser de diversão, acaba se tornando um pesadelo! O ultimo dia da festa costuma ser o mais tranquilo.


4. Não economize em restaurantes:


Ir a Paris e não subir na Torre Eiffel - é isso o que você estara fazendo se vier a Lyon e deixar de comer em um bom restaurante. Lyon é a capital mundial da gastronomia, com 14 restaurantes estrelados no Guia Michelin. O unico com 3 estrelas continua sendo o papa da gastronomia, Paul Bocuse. A partir de 150€ é possivel degustar um dos menus do melhor cozinheiro do mundo.

Por bem menos, a partir de 25€, você pode apreciar a cozinha do Christophe Hubert, um jovem chef que ja conseguiu uma estrela para o seu bistronomique L'Effervescence (15, Rue Claudia - +33 4 78 37 23 89). Se a grana for curta, prefira fazer uma refeição mais cara e tomar um lanche na outra ao invés de fazer 2 refeições "mais ou menos".  Lembre-se de reservar com antecedência. A lista de todos os estrelados esta aqui.


5. Não faça compras na Part Dieu:


Francês gosta de fazer compras nas ruas. Dez graus negativos não impedem que eles continuem desfilando seus lindos casacos e botas pelo centro da cidade, olhando as vitrines. Eu, quentinha dentro do carro, não penso outra coisa além de "são todos malucos!". Mas basta chegar na Part Dieu, um centro comercial que eu insisto em chamar de shopping, para entender porque eles fogem dali. Um lugar feio, sujo, com poucas lojas (se comparado aos shoppings do Brasil). Eh quentinho? Sim. Coberto? Também. Vale a pena? De maneira alguma!
 
Para fazer suas compras em Lyon, faça como os lioneses: dirija-se à Rue de la République (onde estão H&M, Zara, Mango), à Rue Edouard Herriot (para encontrar lojas como Dior, Cartier, Louis Vuitton...) ou ao bairro da Croix Rousse para levar presentes originais.


6. Não tome bordeaux:


Deixe este sacrilégio para quando estiver em Paris, que não produz nenhum vinho importante. Em Lyon, aproveite para degustar um dos vinhos da região. Peça um côtes-du-rhône ou um beaujolais, que injustamente leva a fama de ser um vinho ruim por causa do beaujolais nouveau (vinho jovem). Os beaujolais crus são os melhores.


7. Não ande de ônibus Hop-on, hop-off:


Na minha opinião, estes ônibus que fazem tours parando nos principais pontos turisticos são uma boa opção em duas situações apenas: quando a cidade é grande (Roma ou Paris, por exemplo) e o turista não tem muito tempo para ver tudo; ou quando ha dificuldade de locomoção. Como eu disse acima, a parte turistica de Lyon não é muito grande, então, se você não tem problemas para caminhar, dispense o ônibus. O que Lyon tem de mais interessante fica no meio do caminho.


8. Não faça refeições na Rue Mercière:


Não se deixe ganhar pelo charme do lugar. Apesar de ser uma das ruas mais antigas de Lyon e de ter a seu favor uma oferta variada de restaurantes, ela é, gastronomicamente falando, o lugar mais turistico da Presqu'île. Isso quer dizer que eu vou comer mal, Mirelle? Não obrigatoriamente, mas também não garante que você va comer bem - e comer "mais ou menos" na capital mundial da gastronomia é um baita desperdicio!

Depois de ter experimentado quase todos os restaurantes dali e, principalmente, de conhecer dezenas de outros longe de la, os unicos que eu indico na Mercière são o Bleu de Toi (51, Rue Mercière) para moules frites e o L'Epicerie (2, Rue de la Monnaie) para tartines. Dois dos meu endereços preferidos para refeições baratas em Lyon.


9. Não deixe para almoçar/jantar tarde:


"Lyon é uma cidade grande com ares de interior". Bem assim, com voz apaixonada, é que apresento a minha cidade quando algum amigo vem nos visitar. Mas quando me empolgo com os passeios e perco a hora de seguir para um restaurante, desejo que Lyon seja mais flexivel com seus horarios, como acontece nas grandes capitais. Logo me lembro do caos destes lugares e volto a amar Lyon justamente pelo lado provinciano que ela conserva. O jeito é se adaptar: almoços são servidos até umas 14h e jantar depois das 22h30 é quase impossivel. O que sobra são os restaurantes turisticos da Mercière e da Velha Lyon, aqueles que você deve evitar.


No mais, aproveite bem a cidade! Eu poderia dizer que Lyon merece a sua visita, mas acredito que você é quem merece conhecê-la. :)


domingo, 5 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013

Cof cof, quanta poeira por aqui! Tanto tempo sem escrever, que os meus dedos enferrujaram.

Comecei este texto de diversas maneiras, sempre mal escritas, mas relaxei quando me dei conta de que não devo ter mais leitores a essa altura do campeonato. No maior estilo "meu querido diario" que este blog tinha quando foi criado, escrevo o primeiro post do ano para manter a tradição da retrospectiva fotografica que fiz em 2010, 2011 e 2012. O tempo passa, mas o foco continua o mesmo: viver pelo menos um momento importante em cada mês do ano.


Janeiro: O fim de semana na Suiça foi, além de romântico, a prova de que não existe viagem redonda quando se viaja com o meu marido. Com muito bom humor soubemos contornar situações que poderiam ter estragado o nosso passeio.
 



Fevereiro: Nosso reencontro (13 anos depois) foi em Paris, assim como o nosso casamento. Por isso temos pela capital francesa um carinho especial e fazemos questão de visita-la todos os anos. Desta vez, escolhemos o mês dos namorados aqui na França para seguir com a tradição.


Março: Para um expatriado, receber visitas costuma ser tão emocionante quanto o primeiro *insira aqui a sua comida preferida - eu escolho pão de queijo* que comemos ao desembarcar no Brasil. Dai, a minha alegria ao reencontrar o Nestor, que conheci anos atras graças ao blog e que, além de artista talentoso, é também um dos amigos mais queridos que Léo e eu temos hoje. (Clica no nome do rapaz para descobrir o trabalho incrivel dele. Você vai adorar!)


Abril: Voltar aos bancos de uma universidade depois dos 30 não é facil. Foram 2 anos conciliando esposa carente e monografia interminavel trabalho e estudos antes de ter nas mãos um diploma de MBA. A formatura do meu marido foi, de longe, o maior alivio orgulho que tive em 2013.


Maio: Pé na estrada rumo ao sul da França para descobrir as impressionantes calanques de Cassis. E ainda fiz um post completo com o caminho das pedras para quem quiser se aventurar.


Junho: Manifestações no Brasil. O orgulho transbordava em mim de tal maneira que decidi organizar a de Lyon. Mas junho também foi mês de festa por aqui, pelo aniversario tematico do marido. O presente? Iron Maiden em Paris.


Julho: Uma das minhas resoluções para 2013 era viajar mais pela França, e visitar os campos de lavanda da Provence estava no topo da minha lista. De brinde, ainda conheci Gorges du Verdon, o canyon mais bonito da Europa e presença garantida nas listas das paisagens mais bonitas da França.


Agosto: - Amor, o que você quer de aniversario? 
         - Felicidade.
         - De que tipo?
         - Do tipo que põe carne dentro e frita.

E então ele me levou para comer pastel em Lisboa (antes, ainda visitamos Madri).




Setembro: Quatro anos esperando para receber meu irmão amado e minha cunhada linda em Lyon. Além do tour pela cidade, os levamos para descer remando o rio Ardèche até passar sob o Pont d'Arc.


Outubro: Desde 2009, quando cheguei na França, fui 2x por ano ao Brasil. Em 2013 fiz uma detox forçada e consegui sobreviver sem ter ido uma unica vez. Mas so consegui porque recebi mais visitas que de costume e cada uma delas fazia eu me sentir la (embora tivesse sempre algum chato falando francês do meu lado para me lembrar que, na verdade, eu estava aqui). Em outubro foi a Hismênia quem veio aquecer meu coração. Batemos pernas juntas em Lyon, Pérouges, Genebra e Paris.


Novembro: Eu disse que 2013 foi o ano de viajar mais pela França. Também falei que foi o ano de estar mais perto dos amigos. Foi a junção dessas duas coisas que fizeram com que a visita ao Palacio Ideal do Carteiro Cheval (lugar maluco, vou fazer post!) fosse o momento mais especial de novembro.


Dezembro: Outro mês de reencontros. Veio um amigo greco-alemão para a Fête des Lumières e fomos, Léo e eu, passar o natal em Londres com meu irmão e minha cunhada.




Minhas resoluções para 2014? Continuar listando pelo menos um fato incrivel de cada um dos meses do ano para, no balanço do réveillon, me certificar de que não fiquei sentada vendo a vida passar. :)



B o n n e   a n n é e !

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

C'est la rentrée!

Renovada! Eh assim que estou me sentindo nesta primeira segunda-feira do ano. Não, eu não perdi as folhas do meu calendario, o ano realmente acabou de começar aqui na França. Ja expliquei em outro post que o ano letivo francês começa em setembro, portanto, aquela sensação de inicio de um novo ciclo que temos nos primeiros dias de janeiro é sentida pelos franceses no começo de setembro. Por aqui, agendas e calendarios começam por setembro - uma maluquice que tem nome: la rentrée.

Faz uma semana que os jornais falam sobre o assunto, que tudo gira em torno dela. Eh a hora de retomar o trabalho, de entrar na academia, de se matricular em um curso de linguas, de preparar as crianças para uma nova etapa na escola. O ciclo se encerrou no final de junho e, depois de dois meses de férias, todo mundo se sente pronto para começar tudo de novo. 

Quando falei sobre este assunto pela primeira vez aqui no blog, contei que eu tinha dificuldades para me situar no tempo. Era dificil falar do semestre passado chamando-o de ano passado, mas, agora que ja me acostumei, posso dizer que estou louca para encerrar o ano sabatico que vivi no ultimo ano.

Eu precisava parar. Desde o final de 2009, quando larguei tudo para vir morar na França com o Léo, eu vinha emendando um curso no outro para ocupar o meu tempo até descobrir como recuperar a minha vida profissional. A primeira etapa era aprender o francês, ja que cheguei aqui sem saber falar bonjour. Um ano de estudos depois, voltei para a faculdade para fazer uma especialização em Ciências Politicas. Em 3 anos eu me casei, me tornei fluente em mais uma lingua, adquiri conhecimentos em uma nova area, fiz amigos do mundo todo, viajei por mais de 15 paises, amadureci. Por outro lado, a minha vida profissional ficou em stand by mais tempo do que deveria.

Este tempo de reflexão serviu para avaliar possibilidades, procurar respostas e encontrar caminhos que me permitirão ter de volta a realização profissional que eu sentia no Brasil sem ter que abrir mão da felicidade pessoal que eu so encontrei aqui na França. Uma compatibilidade nada evidente para alguém que ousa querer tudo.

Se no ultimo ano eu precisei de tranquilidade, é com o pé no acelerador que começo este novo ciclo, desejando que ele seja, além de muito desafiador, cheio de novidades. Novidades que, se tudo der certo (vai dar!), muito em breve devem começar a pipocar por aqui.



Bonne rentrée à tous!

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