Adiei o compromisso o maximo que deu, até que não deu mais. Exigi que minhas velhas calcinhas brasileiras sobrevivessem além da conta, tamanho era o medo de entrar em uma loja de lingerie francesa. Acontece que a agua daqui tem calcario demais e lava daqui, lava de la, minhas calcinhas decretaram o fim de suas atividades mais cedo que o esperado. O Léo (que precisou lidar com as minhas lingeries surradinhas em plena lua-de-mel) me acompanhou rumo ao desconhecido. Não fosse ele, a vendedora não teria entendido que eu procurava uma calcinha não tão grande como as da minha avo, mas que também não ficasse entrando, bem, você sabe onde. Infelizmente, isso não existe por aqui.Se por um lado ser mulher na França da um pouco de trabalho, por outro, tem la as suas vantagens. Desde 1975 o aborto é legalizado, além de gratuito - ja que o governo reembolsa o dinheiro gasto com a pratica nos hospitais. Qualquer mulher pode interromper a gravidez até os 3 meses de gestação, basta marcar um horario em um hospital publico ou privado. Lembrando que no Brasil, o aborto so é permitido em caso de estupro ou quando a gravidez coloca a vida da mãe em risco.
Sei la se sou a favor ou contra o aborto. Penso que nenhuma mulher precisa abortar, ja que todas temos opções para não engravidar, mas não da para negar que o aborto é praticado nos quatro cantos do mundo. Cerca de 8 milhões de mulheres sofrem com as complicações provocadas em clinicas clandestinas, sem falar nas 70 mil que morrem todo ano. Aqui, as mulheres não precisam se arriscar nas mãos de açogueiros nem tomar remédios perigosos para abortar. Disso eu gosto.Vale deixar claro que o governo francês não é muito fã dos abortos, pelo contrario. Existem varios programas de incentivo à gravidez. O que eles mais querem por aqui é que cada mulher gere pelo menos uns 5 filhos! Por causa dass guerras, que modificaram completamente o modo de vida dos franceses (inclusive na constituição das familias), a taxa de natalidade foi diminuindo tanto que o governo decidiu agir ao perceber o caos que se instalava no pais - que tem uma população enorme de idosos (40%). Para estimular as mulheres a terem filhos, o governo adotou um pacote de medidas que realmente torna mais facil a vida daquelas que decidem ser mães. O objetivo é que essas crianças cresçam logo e se tornem uma população ativa para pagar as aposentadorias, que hoje consomem os recursos publicos da França.
As mamães com um unico filho recebem uma ajuda de 178€ por mês até a criança completar 3 anos. Mas a partir do segundo, existe até tabela para os subsidios, que são depositados direto na conta dos pais até as crianças completarem 20 anos: 2 filhos =120€ por mês, 3 filhos = 280€ por mês, 4 filhos =441€ por mês e + de 4 filhos = 158€ a mais para cada um. Isso vale para todos os casais (ou mamães solteiras), independente da situação financeira da familia. Tanto faz se é rico ou pobre, os subsidios são os mesmos. E as familias com renda maxima de 2.800€ ainda ganham um mimo de 890€ para preparar a chegada do bebê. Sem falar que na França, saude e educação são gratuitas, o que ajuda a aumentar a criatividade do Léo - que de uns tempos pra ca deu para imaginar pimpolhos dentro da minha barriga. Dai a minha preocupação em comprar calcinhas novas.


































