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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Luxo acessível

Esqueça a imagem clichê do francês com a baguete embaixo do braço, em tempos modernos o computador conquistou este espaço na suvaqueira dos françolas. Quando percebi que eu era uma das poucas a lanchar no McDonald's olhando para a comida de fato e não para a tela de um micro-computador, me senti a escritora mais desmazelada (alguém usa essa palavra além da minha mãe?) dos ultimos tempos. Me dei conta também, que o mimo não devia ser tãaao caro, ja que os fãs de big mac não são la os individuos mais providos de dinheiro que existem.

Depois de muito pesquisarmos, eu e o Léo* encontramos uma oferta sensacional no Carrefour e financiamos o meu novo sonho de consumo, coisa rara entre os franceses. Quase ningém compra a prazo por aqui, é mais comum as pessoas juntarem a grana por um tempo e pagarem a vista o que desejam adquirir. As lojas de roupas por exemplo, não fazem aquele parcelamento em 2, 3, 10x como estamos acostumados no Brasil. Muito dificil ver um francês endividado, so acontece para a compra da casa propria e olhe la! Até carro eles preferem pagar a vista, um raciocinio logico num pais que possui inflação e moeda estaveis. Vai tentar explicar pra eles porque aquela blusinha de 29,90 da C&A foi paga em 3X no cartão..

Mas como não havia desconto para pagamento a vista, o lado brasileiro falou mais alto e dividimos a compra, ao final das prestações terei pago apenas 18€ a mais pelo computador. Aqui os juros são realmente muito baixos ou pelo menos, muito mais baixos que no Brasil. A taxa de crédito imobiliario na França por exemplo, fica em torno de 4%, enquanto no Brasil ela chega a 12%. Ainda assim os franceses abrem o berreiro dizendo que elas são altissimas.

Não entendo muito sobre econômia mundial, mas me parece que a falta de concorrência entre os bancos estimula a cobrança de taxas absurdas no Brasil. Mesmo os bancos internacionais, cobram juros mais altos no nosso pais do que nos de origem, ja que existe este espaço. Enquanto o Lula não da um jeito nisso, faço minhas comprinhas por aqui. Lembrando que turistas e estudantes temporarios na UE tem direito ao detaxe quando voltam para casa. Devo receber um reembolso de 16% sobre o valor do mini computador, que custou exatamente 3x menos que no Brasil.

Tudo isso para dizer que a partir de hoje os textos do blog serão concebidos e postados de um novo pc, pequenininho e portatil para incentivar o aumento da produção. O problema é que o teclado continua sendo francês, ou seja, acentos e corretor em português ainda são artigos de luxo que nenhum tipo de financiamento compra por aqui.



*Por 'eu e o Léo' entenda-se: o Léo. Ele sempre fica com a parte chata de descobrir quanto custam meus desejos de consumo. Ja que eu lavo as cuecas dele, nada mais justo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Soldes de Inverno

Começaram hoje os soldes de inverno na França, promoções tipo queima de estoque que vão até 9 de fevereiro. Serão 5 semanas de perdição em meio aos corredores cheios de pechinchas. Eh mais ou menos como as promoções que acontecem no Brasil depois do natal, quando as lojas oferecem descontos para acabar com as coleções antigas. Mas aqui a coisa é mais organizada.

Os soldes so podem acontecer duas vezes ao ano, com data certa para começar e para terminar. Foi a forma que o governo encontrou para manter a lealdade na concorrência. Se o camarada, dono da lojinha de sola de sapatos, quiser vender tudo a preço de banana, não pode. Precisa esperar os soldes começarem para o sapateiro do lado não ficar no prejuizo. Como são as unicas chances que os comerciantes têm de se livrarem do estoque antigo para abrir espaço para as novas mercadorias, não existe um so que não baixe os preços. De lojas de grife a supermercados. De perfumarias a eletrônicos. De moveis a livros. Tudo tudo com descontos super interessantes. A vantagem para o consumidor é poder se programar, tem coisa mais chata que pagar 100€ por um produto que no outro dia vai custar 60€? Sabendo o dia exato que todo o comércio vai entrar em promoção, você pode esperar para gastar seu suado dinheirinho. Foi o que eu e o Léo fizemos.

Eu precisava muito de um casaco novo. Para evitar o inferno das lojas cheias durante os soldes, pesquisamos no começo da semana os melhores preços e produtos. Encontrei um casaco na Zara do jeitinho que eu queria, olhei o preço, memorizei o lugar exato onde ele estava e pronto, esperei para compra-lo hoje, com 30% de desconto.



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