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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

L'Auberge du Pont de Collonges, o restaurante do Paul Bocuse

Para entender a grandiosidade da experiência é preciso uma pequena introdução. Você ja ouviu falar do Guia Michelin? Aquele que lista os melhores restaurantes, distribuindo estrelas e transformando a vida de chefs mundo afora?! Pois bem, Paul Bocuse é o chef mais estrelado desse guia, com 3 estrelas desde 1965. Caso unico. Se esse senhor de quase 90 anos foi a unica pessoa capaz de ganhar e de manter as 3 estrelas do guia mais importante que existe, podemos concluir então que nenhum outro restaurante é melhor que o dele, certo? Pois foi la que o Léo me levou para comemorar o dia de Saint Valentin: no melhor restaurante do mundo!

Meu marido disfarçou bem, mas eu acho que tinha coisa por tras daquela ação romântica. Estaria ele tão cansado de me ver caidinha pelos cantos, tentando descobrir o que fazer da minha vida, que decidiu investir o dinheiro que tinha (e o que não tinha!) para tentar me ajudar? Se foi isso, deu certo. Depois de algumas horas entre pratos, talheres e sabores incriveis e de conhecer o cara que revolucionou a cozinha francesa (e mundial), me convenci: eu não quero estudar na escola dele. Não que não valha a pena, eu diria até que seria perfeito, não fosse por um pequeno detalhe: eu não gosto de cozinha. E uma pessoa que não pega em carne ou que passa mal com cheiro de alho, não pode gastar 35 mil euros para estudar gastronomia. E foi assim, diante de uma sopa de 80€, que deixei de lado o unico plano consistente que eu tinha para a minha vida.

A tal sopa, alias, é o prato mais lendario e caro do restaurante Paul Bocuse. Ela é feita com caldo de carne, vinho branco, trufas negras, foie gras, cenoura, cebola, salsão, carne, pitadas de sal marinho e pimenta-do-reino, fechada por uma massa folhada para preservar o calor e os aromas. Foi criada em 1975 para um almoço do então presidente francês Valéry Giscard d'Estaing e por isso leva as iniciais dele no nome: VGE.


Ok, a sopa é mesmo muito boa. Mas é sopa! E sopa é sopa, oras. Não da para fazer muita coisa com uma porção de agua. Honestamente? A da minha mãe não fica muito atras, não. E isso serve para todos os outros pratos que comemos. Tudo muito gostoso, muito fresco, mas não ha nada que justifique tais preços. Os pratos servidos nas brasseries Paul Bocuse são tão bons quanto. O que me leva a crer que não se paga pela comida, se paga pelo espetaculo. O salão refinado, a qualidade das toalhas de mesa, a experiência e o profissionalismo dos garçons, do maître e do sommelier. O nome Paul Bocuse gravado no saleiro e a sua imagem nas taças de vinho. Esta tudo ali, incluso na conta (que gira em torno dos mil reais para duas pessoas).


Não se deixe enganar pelos numeros, eu não sou chique. Para falar a verdade, eu sou tão roceira que nem cortar a carne com a mão direita eu sei, por isso so pedi peixes. E o que fazem os jecas quando ficam cara a cara com os deuses? Nos choramos. Foi o que eu fiz quando o Sr. Bocuse apareceu no salão. Igualzinho quando eu trabalhava no SBT e vi o Silvio Santos no corredor. O mestre da comunicação me cumprimentou e eu fiquei calada, com lagrimas nos olhos olhando para o chão. A historia se repetiu quando conheci o Antero Greco, um dos melhores jornalistas esportivos do pais, meu idolo, com quem eu tive o prazer de trabalhar por alguns anos, lidando diariamente com a vergonha de ter chorado quando o vi pela primeira vez. Minha patologia é essa, gente: diante de gigantes, eu choro. Com o mestre da cozinha não seria diferente.


Justificada a minha cara inchada, vamos ao que realmente interessa: descobrir o que se come nesse restaurante tão badalado. O jantar com aperitivo +  entrada + prato + pré-sobremesa + sobremesa durou 3 horas. Existe ainda a etapa dos queijos, que nos pulamos porque, né?, quem no mundo consegue comer queijos depois das refeições, além dos franceses?  São 3 opções de menu, o "grande tradition classique" custa 220€, o "classique", 170€ e pelo "menu bourgeois" paga-se a bagatela de 135€. Também da para escolher os pratos no cardapio, o que pode baratear ou encarecer a conta. Como queriamos experimentar os incontournables do Paul Bocuse, ou seja, os seus pratos mais famosos, pedimos à la carte mesmo. Os vinhos custam de 40€ a 1.200€ e uma garrafa de agua sai por 7€ (da para comprar 10 garrafas da mesma agua no supermercado). Sabe aquela loucurinha que a gente so faz uma vez na vida? Paul Bocuse foi a minha.

Aperitivo:
Crème légère de poireaux et un petit pain gruyère 
(creme de alho poro acompanhado de um pãozinho de queijo)

Entradas:
Soupe aux truffes noires V.G.E.
(sopa de trufas negras)

Salade de homard du Maine à la parisienne
(salada de lagosta)

Pratos:
Noix de coquilles Saint-Jacques au beurre blanc, pommes soufflées
(vieiras na manteiga com batatas sopradas)

Carré d’agneau "Côtes Premières" rôti à la fleur de thym
(costela de carneiro assada com alecrim)

Pré-sobremesa:
Crêpe à la confiture d'orange
(crepe com calda de laranja)

Sobremesas (eles trazem três mesinhas cheias de doces e os clientes podem escolher quantos quiserem, estavamos tão satisfeitos que so comemos uma sobremesa cada um:
 
 Tarte tatin et sa boule de glace vanille
(torta de maçã com sorvete de creme)

Crème brûlée à la cassonade Sirio
(creme de baunilha com açucar queimado)


40, Rue de la Plage - 69660 Collonges au Mont d'Or 
Tel: 04 72 42 90 90 


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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pratos tipicos: moules frites

Quando eu estava vindo para ca pela primeira vez, recebi uma dica valiosa da minha querida ex-professora de artes, a Ana: "Coma moules frites por mim". Pô, quem, em sã consciência, manda uma aluna dedicada como eu aproveitar suas férias em Paris comendo mexilhão? Ta, eu não era tão dedicada assim e acabei não obedecendo a Ana. Até que um dia, ja morando em Lyon, passei na frente de um restaurante tipico de frutos do mar, lembrei da dica e resolvi aproveita-la. Foi então que a culinaria francesa, ruim e sem graça, passou a fazer algum sentido para mim (até eu descobrir que na verdade o prato é belga e tudo voltar a ser como era antes). Seja como for, moules frites é hoje o meu prato preferido, embora eu não seja chegada em mexilhões ou em qualquer outro fruto do mar.

Moules frites nada mais é que mexilhões com fritas. Os mexilhões são servidos em uma 'bacia', cozidos e cobertos com algum molho (o meu preferido é o provençale - com tomates e creme de leite, o Léo gosta do molho de vinho branco) e acompanhados de muita batata frita. Parece simples, e é. Dificil é saber como degustar. Meu marido, muito educado, consegue fazer malabarismos incriveis com os talheres, mantendo os dedos intactos. Comigo, da-lhe bagunça! Me viro a francesa mesmo, segurando os mexilhões com as mãos e chupando-os de dentro das cascas, finalizo lambendo o que sobrou do molho.


Entrei numa onda de amor tão forte com esse prato que qualquer desculpa é valida para comê-lo, a que eu mais gosto é gente. Basta pintar alguém interessante em Lyon para eu sugerir uma ida ao nosso restaurante preferido. Adoro ver nossas visitas se surpreenderem com o novo, como fez a  minha mãe e a Glenda, blogueira do Coisa Parecida, que aproveitou uma viagem a Lyon com o marido para nos conhecer.


Em Lyon, duas ruas centrais cheias de restaurantes possuem especialistas em moules frites. Na rue Marronniers, va ao "A la pêche aux moules" e na rue Mercière, no "Bleu de toi", o nosso cantinho. Em ambos, o prato custa mais ou menos 14€ - acompanhados de batatas fritas a vontade e uma saladinha de entrada. Como estamos falando de um prato muito tradicional na França, não é dificil achar restaurantes em Paris que o sirvam também. Aproveite a sua proxima viagem para experimenta-lo, "coma moules frites por mim" deve ser a dica de viagem mais gostosa que esse blog ja deu.


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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Como sobreviver em um restaurante francês

Embora restaurante seja restaurante em todo lugar do mundo, ou seja, aquele lugar que cobra para servir refeições, as condutas podem variar de acordo com a sua posição no mapa. Trocando em miudos: sair para jantar fora na França pode se revelar uma grande aventura. Para  ajudar os forasteiros a não se sentirem tão deslocados nos bistrôs ou nas brasseries francesas, listei algumas dicas:

1 - Pão e agua: Dois itens que não são cobrados nunca, por isso não se desespere quando o garçom colocar a cestinha de pães na sua mesa. Ele não vai cobrar couvert. Mas a agua gratis é a da torneira, super consumida por aqui. Eu ja me acostumei e so tomo dela aonde quer que eu va. Se você preferir a agua mineral, precisa pagar. Para a agua da bica, peça une carafe d'eau e para a agua mineral, une bouteille d'eau.

2 - Personalizar o prato: Um habito que eu sempre mantive no Brasil foi o de pedir para tirar a salsinha do peixe ou para mandar fritas no lugar do purê, mas aqui na França eles não gostam disso. O prato é aquele que esta descrito no cardapio e você podera, no maximo, escolher o ponto da carne. Em restaurantes mais refinados até da para conseguir alterar um acompanhamento, mas é raro.

3 - Menu do dia: Nos cardapios você vai encontrar preços separados para entradas, pratos e sobremesas, mas todos os restaurantes oferecem também o 'menu do dia' (menu du jour) - uma opção bem mais barata. São dois ou três combinados diferentes por dia (entrada + prato + sobremesa, por exemplo). Vale muito a pena optar pelos menus, são eles que me permitem comer em restaurantes chiques sem gastar muito. E tem também o prato do dia (plat du jour), que é mais barato e servido mais rapidamente porque é preparado em grande quantidade. Pedir o plat du jour é uma das dicas mais valiosas que eu posso te dar.

4 - Bebidas: A bebida preferida dos franceses é o vinho. Eles almoçam e jantam tomando pelo menos uma taça. A maioria dos restaurantes possuem o vinho da casa (vin-maison), que é bem mais barato que os outros. Nem todos oferecem cerveja, e suco natural é dificilimo de encontrar. O que eles têm são garrafas de sucos industrializados, por isso me acostumei a beber so agua durante as refeições (da torneira, claro). Fique a vontade para pedir coca-cola, mas não estranhe se o garçom bufar.

5 - Entrada + prato + sobremesa: No Brasil não estamos acostumados a comer por etapas, como eles fazem aqui. Você não é obrigado a comer além do que sua fome pede, então não se sinta forçado a pedir entrada nem sobremesa se você so quiser um prato. Alguns restaurantes não servem so a entrada ou so a sobremesa, mas todos servem apenas os pratos se o cliente assim preferir. Lembre-se: quanto mais caro o restaurante, menos comida vem. Portanto, saiba que para se sentir satisfeito, um prato geralmente não é suficiente.

6 - Lentidão: O atendimento é muito lento nos restaurantes franceses. Não existe por aqui aquela quantidade enorme de garçons para atender os clientes. Eles demoram para trazer o cardapio, demoram para trazer os pratos e também demoram para trazer a conta. Não adianta bater o pé. Se estiver com pressa, a melhor opção é a brasserie, que serve com um pouquinho mais de agilidade (ou pedir o prato do dia, que eu citei acima). Ou então va ao Mc Donald's.

7 - Cardapio: Quase todos (para não dizer todos) os restaurantes mostram seus cardapios do lado de fora em lousas grandes (escritas com giz) ou pregados na parede de maneira mais discreta. Isso ajuda a decidir em qual restaurante entrar. Se você estiver passando na frente, é so olhar o cardapio para conhecer pratos e preços.

8 - Cigarro: Quando o inverno vai embora, as mesas que ficam do lado de fora, nas calçadas, são as mais disputadas. Se você decidir se sentar em uma delas, saiba que a lei que proibe o fumo dentro dos restaurantes não vale para os terrasses. Então, os clientes da mesa ao lado poderão fumar tranquilamente em cima de você, sem que você possa reclamar. Não suporta cheiro de cigarro? Sente-se do lado de dentro.

9
- Gorgeta: Não existe a cobrança dos 10% na França e nem a obrigação de dar gorgeta. As regras de etiqueta recomendam deixar em torno de 20% do valor final da conta, mas não é uma obrigação. Léo e eu so deixamos quando somos realmente bem atendidos - como isso é muito raro por aqui, os garçons quase nunca ficam com os nossos trocadinhos.

10 - Inglês/Francês: Nem todos os restaurantes oferecem cardapios em inglês. Os mais elegantes fazem questão de deixar tudo em francês, mas você pode perguntar ao garçom se ele fala inglês e pedir explicações sobre os pratos. Os restaurantes mais simples/rusticos também so possuem cardapios em francês. Nesses casos, os funcionarios provavelmente não vão falar inglês, por isso aconselho a carregar um mini dicionario português/francês quando for comer fora. Os pratos são diferentes e como eles enfeitam muito nas descrições, fica dificil decifrar o que esta escrito ali. Lembrando que em Paris quase todo mundo fala inglês, mas a França não é so Paris, né, gente?

E, para finalizar, aproveite que esta na França e faça como os franceses: deslize um pedaço de pão pelo prato para recolher as migalhas que ficaram para tras. Isto  não é falta de educação por aqui, pelo contrario, é tão normal que se você deixar restos ou molho no prato o garçom pode perguntar se não estava bom.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Restaurantes em Lyon: Brasserie L'Est

Estou começando a fazer as pazes com a cozinha francesa. Não que ja sejamos intimas - estamos longe disso! Mas os progressos são nitidos (embora o processo seja lento). Descobri que para um prato ser bom, ele precisa ser extremamente bem feito. E não venha me dizer que isso é obvio, não é! Existem misturas tão gostosas que mesmo mal feitas fazem sucesso. Meu arroz com feijão é prova disso. Mas as comidas francesas são estranhas e se não forem preparadas pelos mestres da culinaria, não descem.

Infelizmente, pratos elaborados por grandes chefs e servidos em restaurantes renomados são caros. Então não tem escapatoria minha gente, para comer bem na França é preciso abrir a carteira! Como eu não tenho verba para encher a pança todas as semanas nos restaurantes estrelados, continuo não gostando de muitos pratos que experimento por aqui. Mas Papai do céu olha por mim, então vira e mexe pinta uma oportunidade de comer muito bem, pagando pouco.

Semana passada o destino sorriu para nos quando conseguimos duas vagas no Restaurante Experimental do Centro de Pesquisa do Instituto Paul Bocuse. Ja falei aqui sobre este restaurante, onde os alunos colocam em pratica o que aprendem em sala de aula para o deleite de alguns poucos sortudos. Aperitivo + entrada + prato principal + sobremesa + vinho + agua + café por 20€, uma pechincha! Desculpa não fotografar dessa vez, estavamos com o chefe do Léo e fiquei com vergonha de sacar a câmera da bolsa, mas juro que vi meu marido comer pé e orelha de porco lambendo os beiços (embora com uma pontinha de pena do bicho). Foi então que descobri que realmente é possivel saborear qualquer tipo de comida, desde que ela seja preparada com alimentos frescos e com as técnicas apropriadas.

Como os alunos do meu amigo Paul so servem a clientela duas vezes por ano, o jeito é correr para uma das brasseries do mestre para encontrar comida de qualidade com preços interessantes. Foi o que fizemos com o Vânio, um colega de empresa do Léo que mora no Brasil e estava em Lyon à trabalho. Ja contei para vocês que em Lyon existem cinco brasseries do sr. Bocuse e que cada uma tem cardapio e conceito diferentes. Minha experiência na Brasserie Nord não foi das melhores, mas na Brasserie L'Est foi diferente. O ambiente é bem mais descontraido e o cardapio tem mais a ver com o meu paladar. No Est a especialidade é a cozinha de viagens, ou seja, sabores menos regionais e mais internacionais.

O restaurante fica no 6° arrondissement (o distrito mais chique da cidade) e foi construido em uma antiga estação de trem, a Gare des Brotteaux - que virou monumento historico graças a sua arquitetura incrivel! Os preços são altos, mas o 'menu do dia' é super acessivel: entrada + prato ou prato + sobremesa por 19,90€ e entrada + prato + sobremesa por 22,90€. Escolhemos o menu com 3 opções e pude degustar mais uma vez a minha sobremesa preferida.

Entradas:

Confits de légumes Niçois: courgettes, aubergines et poivrons avec fines tranches de jambon cru et grissini
(conserva de legumes de Nice: abobrinha, beringela e pimentão com fatias finas de presunto cru e biscoito)

Terrine de jambon persillée tradition, avec salade vert et condiments
(patê de presunto com salsinha, salada e condimentos)

Pratos:

Filet de saumon de Norvège à l'oseille avec epinards frais en branches et pommes vapeur
(filé de salmão com espinafres frescos em ramos e batatas ao vapor)

Cochon fermier rôti à la broche "taillé dans le carré" avec pommes purée maison et jus ménagère
(leitão assado no espeto com purê de batatas e molho caseiro)

Sobremesas:

Gaufres grand-mére chantilly et chocolat
(waffer da vovó com chantilly e chocolate)


Meringues légères, glace vanille et chantilly
(suspiros com sorvete de creme, calda de chocolate e chantilly)



Brasserie L'Est
14, Place Jules Ferry
(Linha B do metrô - estação Brotteaux)
tel: 04 37 24 25 26



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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rue Mercière e Café Milano

Não faz muito tempo que criei coragem para sair pela cidade disposta a aproveitar as comidas estranhas que fazem por aqui. Nesse pouco tempo, mais gostei do que desgostei dos pratos que experimentei. Venho tentando variar, não so por mim, mas por vocês. Muita gente me escreve pedindo dicas de Lyon e agora fico ainda mais contente por poder ajudar também no circuito gastronômico de cada um, indicando os lugares que descubro.

Sempre evitei os restaurantes "turisticos", aqueles que ficam bem de frente aos pontos mais visitados de qualquer cidade. Geralmente é furada. Comida fria, garçons impacientes, gente demais. Tenho para mim que são os mais escondidos que realmente se preocupam com a qualidade dos alimentos e do atendimento, ja que eles precisam ser realmente bons para os clientes voltarem. Por tudo isso, deixava de comer na rue Mercière.

A rua esta localizada em um ponto estratégico da Presqu'île, o centro de Lyon que fica entre os dois rios que cortam a cidade (Rhône e Saône), por isso chamada de "quase ilha". Nessa região estão alguns dos pontos mais visitados da cidade, como a Place Bellecour e a Place des Terreaux. Entre as duas praças, muitas ruas cheias de lojas e turistas. Uma delas é a rue Mercière, que por ficar bem na rota do consumo, é super movimentada.


La, encontramos restaurantes para todos os paladares: creperias, japonês, mexicano, bares, lanchonetes, sorveterias, buchons. O Caique estava certo, impossivel falar dos restaurantes de Lyon sem indicar pelo menos um nessa rua, que inevitavelmente estara no caminho de quem vier passear aqui. A parte mais dificil é decidir em qual entrar. Todos os restaurantes são coladinhos uns nos outros e super bem decorados. Na frente deles, o menu fica a disposição para que os clientes possam olhar pratos e preços, depois decidirem sozinhos se ficam ou não. Isso é bacana.

O Café Milano é um restaurante italiano que me deixou bastante contente, do começo ao fim. As saladas são gostosas e fogem um pouco da mistura de alface sem graça que a maioria dos restaurantes serve por aqui. Pedi uma carne (que surpreendentemente não veio nem crua, nem queimada) e o Léo escolheu uma massa. Além das carnes, massas e saladas, o cardapio oferece diversos sabores de pizza. Os pratos custam entre 12€ e 16€ cada, mas acho que vale mais a pena optar por um dos menus combinados. A formula entrada + prato + sobremesa custa 24€ e prato + sobremesa ou entrada + prato sai por 18€, foi essa que escolhemos.

Entradas:

Caprèse aux 2 tomates et mozzarella
(tomates com molho pesto, alface, tomate seco e mussarela de bufala)



Salade sud: mesclun, jambon cru, tomates confites, copeaux de parmesan
(salada de alfaces, presunto cru, tomate seco, pedaços de parmesão e molho pesto)


Pratos:

Escalope de veau milanaise avec pommes sautées aux herbes et salade
(filé de carne à milanesa com batatas assadas e salada)


Penne à la Primavera
(penne com tomates, azeitonas, muzzarela e molho pesto)


Léo se divertindo com o treco de espirrar azeite no macarrão



Café Milano

44, rue Mercière (linha A do metrô, estação Cordeliers)

tel: 04 72 41 74 63


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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Restaurantes em Lyon: Brasserie Nord

O restaurante seria digno de cinco estrelas não fosse a minha mania de não ver muita graça naquilo que todo mundo adora. Conceituado, elegante e caro, a Brasserie Nord não me conquistou totalmente. A qualidade dos alimentos é indiscutivelmente muito boa, tudo fresco: peixes, verduras, legumes (até a famosa agua de torneira servida em todos os restaurantes da França, parecia mais fresca la), mas não gostei do jeito impaciente dos garçons. Deve ser meu inconsciente. Quando vou a um lugar baratinho e sem muita frescura, não espero muito dele. Muitas vezes acabo me surpreendendo. Acho que nesse caso, minhas expectativas eram altas demais.

Ja falei aqui que existem em Lyon cinco brasseries do Bocuse (o tal chef cuja escola de culinaria vai me deixar 100 mil reais mais pobre a partir do ano que vem). São opções acessiveis para quem sonha experimentar menus elaborados pelo chef mais famoso do mundo, sem gastar demais. Em cada brasserie, cardapio e conceito diferentes. No Nord a especialidade é a cozinha de tradição.

O 'menu do dia' até que não pesa tanto no bolso, 19,90€ pela entrada + prato ou prato + sobremesa e 21,80€ pela entrada + prato + sobremesa. So é preciso sorte para comer os pratos mais gostosos que entram na promoção (cada dia são oferecidos 3 diferentes). Quando fomos, tivemos azar. Nossas opções eram rim de vaca com mostrada (Fricassée de rognons) ou figado de boi cozido (Foie de veau poêlé). Fala sério, né? Não desce! O jeito foi fazer os pedidos fora do 'menu do dia', resultado: 2 entradas + 2 pratos + 2 sobremesas, vinho e refrigerante = 98 €. Ui!

Entradas:

Salade de Chèvre et Avocat
(salada com folhas verdes, queijo de cabra e pedaços de abacate)


Soupe à l'Oignon Gratinée
(sopa de cebola gratinada)

Pratos:

Panaché de Filets de Poissons du Marché Grillés à la Plancha
(filés de varios peixes grelhados com batatas e espinafre)



Quenelle Mousseline de Brochet Sauce Nantua
(massa com sabor de peixe e molho de frutos do mar)

Sobremesas:

Meringues Légères, Glace Vanille et Chantilly
(suspiro com sorvete de creme, calda de chocolate e chantilly)



Baba Gourmand aux Fruits Frais
(pão doce aromatizado ao rum, com chantilly e frutas frescas)



Léo gostou de tudo o que pediu e eu gostei muito da sopa de cebola gratinada que comi de entrada e da minha sobremesa de suspiro com sorvete de creme e chantilly, que ja voltei outras duas vezes para saborear. Ainda que para mim o céu não se pareça muito com a experiência gastronômica que tive na Brasserie Nord, acho que vale a pena comer la pelo menos uma vez na vida. Principalmente os turistas que estão planejando uma visita à Lyon. Seria como viajar à Paris e não conhecer a Torre.


Brasserie Nord
18, rue Neuve (Linha A do metrô, estação Hôtel de Ville)

tel: 04 72 10 69 69






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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Restaurantes em Lyon: Le bouchon de l'opéra

Trata-se de uma experiência unica. A começar pelos pratos, talheres e guardanapos cheios de personalidade sobre as mesas, nenhum é igual ao outro e quase todos são comprados em brechos ou mercados de pulgas. Stéphan Tarare, o chef-proprietario, brinca ao contar que alguns clientes olham torto para os garfos achando que estão sujos. Engano, tudo no "Le bouchon de l'opéra" é inacreditavelmente limpo. A decoração do salão é feita com utensilios e objetos beeem antigos, justamente o que faz dele um restaurante tão charmoso.

O "Le bouchon de l'opéra" não é o tipo de lugar que você vai SO para jantar, é um passeio gastronômico completo, cheio de boas surpresas. O chef prepara todos os pratos aos olhos dos clientes, com uma agilidade de fazer inveja a qualquer um. As mesas mais disputadas são aquelas que ficam bem ali, na cara do gol. Poucos sortudos tem o prazer de conseguir se sentar tão proximo ao sr.Tarare, o chef de cuisine mais maluco que ja conheci.

Nada de garçons, apenas sua filha da uma força nos dias de maior movimento. Nos outros, ele faz questão de receber os clientes, anotar os pedidos, ir às mesas quantas vezes forem necessarias para explicar (de maneira engraçadissima) cada prato estranho que ele serve. Dai vai para a cozinha e prepara as refeições, volta e serve todo mundo, lava a louça e deixa tudo limpo, volta às mesas e conversa mais um pouco, conta piadas e -ufa!- abre o maior sorrisão quando recebe elogios sobre a comida deliciosa que prepara.


Mas não pense que no começo foi facil para mim. Quando um casal de amigos nos convidou para conhecer a comida tradicional de Lyon, fiquei apreensiva. Intestino de porco, estômago de boi e linguiça de miudos fazem parte do cardapio tipico lyonnais. Olhei para o menu e tive vontade de fugir para pedir uma pizza. Fechei os olhos e sem pensar, escolhi um frango de nome estranho. Foi assim também com os meus sogros, que estavam de férias em Lyon e nos acompanharam nessa descoberta corajosa. Escolhemos pratos tipicos lyonnais que eram mais comuns ao nosso paladar brasileiro. A conversa agradavel com os amigos foi me fazendo esquecer o que vinha pela frente e acabei relaxando.

Quando a comida chegou, todos ficamos surpresos: era boa! Boa mesmo, de fazer o pão deslizar facil pelos pratos recolhendo as migalhas que ficavam para tras. Manteiga, temperos, carne suculenta, muito diferente dos restaurantes turisticos que jogam tudo no microondas. A formula prato+sobremesa ou entrada+prato custa 21€, entrada+prato+sobremesa custa 23€. Não ha lugar melhor para experimentar as comidas estranhas dessa cidade linda.

Entradas:

Salade lyonnaise
(alface,bacon frito, croutons e ovo poché)

Gaude au queues d'écrevisses et volaille
(sopa de milho com pedacinhos de camarão e frango)



Pratos:

Cuny au St. Marcellin
(filé ao molho de queijo)


Quenelle de brochet maison
(massa com sabor de peixe e molho de frutos do mar)


Volaille fermière aux morilles
(frango com cogumelos ao molho)

Sobremesa:


Tarte tatin avec sa confiture de Beaujolais nouveau
(torta de maçã com sorvete de creme e geléia de vinho)

Uma dica: não apareça por la se estiver com pressa. Todos os molhos, caldos e pratos são preparados na hora. Como existe apenas uma pessoa para fazer tudo, é impossivel que a comida chegue em menos de 30 minutos. Para comer pratos artesanais bem feitos, é preciso paciência. Passamos 3 horas no restaurante e juro que nem sentimos o tempo passar. Para os fins de semana, faça reserva com antecedência. O restaurante, que não fica em nenhuma rota turistica, vive lotado. Recomendo.




Le bouchon de l'opéra

11, rue des Capucins (Linha C do metrô, estação Croix Paquet)
Tel: 04 78 28 49 47


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sexta-feira, 19 de março de 2010

Restaurantes em Lyon: Au Vilain Petit Canard

Ha alguns dias, escrevi sobre a dificuldade que tenho tido para me adaptar à culinaria francesa. Ha quem jure de pés juntos que a danada é realmente gostosa. Então, decidi aproveitar a vida na capital gastronômica da França e ja comecei a me jogar rumo ao desconhecido. Dei um tempo para o meu paladar gordo de quem ama sal e açucar para tentar encontrar bons pratos e restaurantes charmosos em Lyon. Comecei bem: experimentando carne de pato. Fui corajosa e não me arrependi.

O pequeno restaurante, descoberto durante uma caminhada despretensiosa, logo me chamou a atenção pelos preços convidativos: 13€ pelo prato principal+sobremesa no almoço e 20€ pela entrada+prato+sobremesa no jantar. Quem preferir, pode pedir so o prato principal, custa em média 12€. Na França, isso é uma pechincha! O modo de anunciar as opções também é interessante, nada de cardapios. Os pratos são descritos em lousas que circulam de mesa em mesa cada vez que um novo cliente chega.


"Au Vilain Petit Canard" é o restaurante mais bacana que encontrei até agora em Lyon. Longe da bagunça dos pontos turisticos, é pequeno e aconchegante. Ja fui duas vezes, para o almoço e para o jantar. A noite, as velas acesas em cima das (poucas) mesas, dão um ar todo especial para o lugar. Simples e discreto.

 
A especialidade é a carne de pato, presente em todos os pratos oferecidos. Existe também um "mini-mercado" no proprio restaurante, com varios produtos para os clientes levarem para casa: conservas, patês e congelados - tudo de pato, claro! Na foto acima, da para ver a prateleira com os potes à venda. O restaurante é da familia do Benjamin, que tem também uma fazenda onde os bichinhos são criados. Tudo que é servido no "Au Vilain Petit Canard" vem de la. A carne é super macia, os acompanhamentos são deliciosos e as sobremesas também. Quem nunca comeu carne de pato pode experimentar sem medo, o sabor é parecido com os que estamos acostumados no Brasil, nada muito exotico. Destaque para o Cuisse de canard confite, DI-VI-NO!

Entradas:

Salade de 3 magrets
(alface, tomates secos marinados e lascas de peito de pato perfumadas aos sabores de laranja e mel, anis e ameixa)


Assiette de foie gras
(alface, tomates secos e foie gras com compota de figo)


Pratos:
Cuisse de canard confite
(coxa de pato ao molho agridoce com fondue de alho poro, tomates provençais, batata ao forno e creme de queijo fresco)

Brochette de magret de canard
(espetinho de peito de pato com os mesmos acompanhamentos do prato acima)

Sobremesas:

Fondant au chocolat
(bolinho de chocolate com creme inglês)

Tarte au citron meringée
(torta de limão com merengue e calda de framboesa)

Quem pintar por la, pode dizer que pegou a dica aqui. O Benjamin vai ficar contente de saber que as receitas eram realmente para o blog e não uma desculpa minha para roubar os segredos deliciosos da familia!


Au Vilain Petit Canard
41 rue Franklin-Lyon (Linha A do metrô, estação Ampère Victor Hugo)
Tel: 04 78 62 34 77 


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