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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Roma: incrivel, incrivel!

Não que seja preciso uma desculpa para dar um pulinho em Roma, afinal, a cidade é logo ali e a passagem é uma pechincha. Mas ja que o tal do Bono Vox ia estar de bobeira com seus três melhores amigos por la, por que não passar e conferir, né? Então, fomos.


Como eu disse no Twitter (@13anosdepois), não da para negar que Paris é a cidade mais linda do mundo, mas Roma, meu amigo, é a mais incrivel! Não sei se so para mim isso faz sentido, mas é isso: Paris é linda, Roma é incrivel!


Estivemos la no ano passado, quando o Léo decidiu que estava na hora de se ajoelhar na frente de todo mundo e me pedir em casamento. O fez na Fontana di Trevi (eu sei, eu sei, o meu marido é genial!). Naquela época escrevi este post com dicas sobre a cidade, por isso não vou me estender muito dessa vez. Mas não posso deixar de falar sobre o show.

Ai gente, doeu o coração. Doeu porque é esse o sentimento que toma conta da gente quando percebemos que a idade chegou. Voilà, estou velha. Os publicos dos shows que tenho ido me mostram isso. Todos de cabelos brancos, danças contidas e aqueles malditos sapatênis nos pés! Mas, ah, como sou grata por ter nascido nos anos 80! Por ter tido a oportunidade de paquerar ao som do U2, por ter visto ao vivo, o gigantismo desse show, dessa banda, da voz do Bono. Foi incrivel, como tudo o que acontece em Roma.


Incrivel também é o passeio pela Ponte Milvio, acho que a mais antiga da cidade. Além de todo o peso historico que ela carrega, ha também o peso real, de milhares de cadeados presos ali por casais apaixonados. Não sei bem como surgiu a tradição, mas nessa ponte eles trocam juras de amor eterno, escrevem seus nomes em um cadeado, fecham e jogam a chave no rio, na esperança de que o amor dure para sempre. Romântico que so ele, o Léo me levou até la para garantir que o nosso nunca acabe (como se isso fosse possivel).




Rapidinhas:

O metrô de Roma é um caos! O mais sujo e feio que eu ja vi na Europa. Ainda pior são os usuarios, sem um pingo de educação. Jogam lixo no chão e não esperam os passageiros descerem, antes de subir.








Impossivel enganar o chefe com a desculpa de estar atrasado, por todo o centro da cidade existem centenas de relogios como o da foto. Embaixo deles, publicidade.














Por falar em publicidade, na cidade de Deus, o diabo também faz a festa! E ambos parecem saber dividir tranquilamente o mesmo espaço.















Não sei se é frescura ou precaução, mas todas as motos em Roma possuem essa proteção na frente. Coisa que eu nunca vi em nenhum outro lugar do mundo. Alguém sabe para que servem?








Os italianos são muito parecidos com os brasileiros. Espaçosos, falam alto e fazem amizade com todo mundo. Conhecemos nossos novos amigos no tramway. Um casal simpatico que mora em Nice (na França) ha mais de 30 anos. Trocamos endereços e ja combinamos de passar as proximas férias na casa de praia deles.


domingo, 19 de setembro de 2010

22 anos depois...

Preciso começar a sonhar novos sonhos, porque dos que eu tinha não falta realizar mais nenhum. Não que eu seja uma pessoa que se contente com pouco, longe disso. Sou apenas alguém que faz questão de tirar do papel e realizar. Acho que sempre fui assim. Me lembro bem do dia em que, a caminho de um shopping com a minha mãe, passei em frente à TV Globoe falei: "Ainda vou trabalhar aqui!". Dona Mirlene sorriu e disse que sabia que sim. Pouco tempo depois, cumpri o prometido.

No primeiro dia de trabalho, chorei feito criança e quando coloquei os pés la dentro, descobri que a sensação de realizar sonhos é a melhor que existe. Não tem satisfação maior que a de conseguir algo que se deseja por muito tempo. O frio na barriga, o coração disparado, o alivio de saber que deu certo... é incrivel! Desde então, faço o que posso para sentir tudo isso de novo. Sabe aquelas coisas que você precisa fazer antes de morrer? Pois então, ao invés de fazer a minha listinha crescer, me dediquei a realizar os itens que se acumulavam por la.

E não eram itens simples não! Desejei trabalhar com os melhores jornalistas esportivos da TV, me casar com o primeiro namorado - em Paris!, apresentar programas na televisão, viajar pelo mundo... e realizei tudo isso. Mas faltava uma coisa, a mais importante talvez. Faltava vê-lo de perto. Faltava olhar para os seus olhos (que se fecham nos agudos mais altos), faltava ver se os pêlos dos seus braços eram tão loiros quanto nas fotos, se o cabelo era tão liso e o nariz, tão arrebitado. Faltava estar no mesmo lugar que ele, para ouvi-lo cantar para mim.



Eu não sei bem como explicar essa relação doentia que eu tenho com esse homem. Juro, não sei. Tentei pôr fim a todos esses mistérios em 2001, quando ele esteve no Rock in Rio. Peguei um busão, fui até la, cheguei 40 horas antes do que devia. Então dormi na fila, me desidratei com o calor de 40°C e quando, enfim, estariamos frente a frente, desmaiei. Devo ser a unica pessoa que viajou centenas de quilômetros para ver um show e não viu.


Nove anos se passaram, ele saiu de cena, fez mistério. Demorou 14 anos para lançar um novo album e cair na estrada, mas nenhuma dessas estradas passavam por aqui. Então fui atras dele, na Suiça. Na ultima quinta-feira, quando as luzes se apagaram e soaram os primeiros acordes da guitarra, achei que eu fosse cair dura no chão, de novo. Meu coração disparou, as pernas fraquejaram, os olhos se encheram de lagrimas. E ai, ele entrou...



Lindo como sempre, mais gordo do que nunca e com um cavanhaque super fora de moda. Mas, e dai? Eu também envelheci. Ja não sou mais a menina que enchia as paredes do quarto com posters gigantes dele, ja não lembro todas as letras (principalmente porque o maldito francês tomou o lugar do inglês no meu cérebro) e nem tenho a pele tão boa quanto tinha aos oito anos, quando comecei a ama-lo pra valer. Ainda assim, foi o momento mais especial da minha vida, e eu pude sentir novamente as emoções do meu primeiro dia de trabalho.


Alguns passam a vida tentando descobrir o segredo da felicidade, quando a resposta é muito simples: felicidade é transformar sonhos em realidade.Você ja parou para pensar se você gasta o seu tempo aumentando ou diminuindo a sua lista? Quando foi a ultima vez que você realizou um sonho antigo? As pessoas mais felizes que eu conheço priorizam a realização dos seus sonhos e não o cumprimento de metas e objetivos. Claro que isso também é importante e deve existir, eu mesma ainda tenho muitos planos para realizar. Mas os meus sonhos? Transformei todos em realidade.

domingo, 23 de maio de 2010

Metallica em Lyon

Eu nasci no tempo certo. Nasci no tempo do Metallica, do Nirvana, do Iron Maiden, do Guns. Nasci a tempo de conhecer musica boa. Por causa desses cabeludos metaleiros, minha adolescência foi mais bacana. Um outro cabeludo também contribuiu muito para a minha felicidade aos 15 anos, com paixão e musica. Quando namorei o Léo pela primeira vez, em 1996, ele tinha os cabelos grandes, dois brincos na orelha esquerda e fazia cover das melhores bandas de rock quando se juntava para tocar com os amigos. Nunca faltavam Enter Sandman, Nothing else matters nem Fade to black no repertorio.

Hoje, o Metallica acordou Lyon. A cidade, geralmente morta aos domingos, recebeu a banda que marcou a minha vida e a do Léo, então pudemos escutar todas essas musicas mais uma vez. As performances incriveis de James Hetfield e companhia me fizeram voltar no tempo. A pegada continua forte e o som permanece inconfundivel. Eles ainda são os melhores. Não fossem as ruguinhas do James, eu nem me daria conta de que passaram-se tantos anos.

Se ele não é mais o mesmo, eu também não sou. Afinal, o tempo passa na mesma velocidade para todo mundo, embora uns o aproveitem melhor que outros. Ja não tenho o mesmo fôlego para pular duas horas sem parar nem para sacudir a cabeça durante os solos de bateria (sim, por tras da minha aparência de boneca existe uma roqueira apaixonada). Mas não fui so eu quem perdeu o pique, poucos arriscaram tirar os dois pés do chão. A maioria balançava gentilmente a cabeça enquanto tocava suas guitarras imaginarias.

Dei falta dos pirralhos cabeludos e cheios de espinhas que eu costumava encontrar nos shows de rock ha 10 anos atras. Ao meu redor, so tiozinhos barrigudos, com sapa-tênis nos pés e uma tatuagem ou outra meio apagada nos braços. (Ah! E protetores de ouvidos, muitos! Mas isso eu acho que é frescura de francês, ja que nunca vi no Brasil alguém se atrever a ir a um show de metal protegendo as orelhas).

Tanto sapa-tênis significa que o rock esta envelhecendo. Quando lembro que no MP4 do meu sobrinho, de 14 anos, tocam as musicas que estão na novela das oito, isso fica ainda mais evidente. Outro dia perguntei se ele queria vir para a Europa em outubro para ir conosco ao show do U2 em Roma. Ele me perguntou quem era U2... eu quis morrer! Meus idolos não são os dele e parte da culpa é minha, que permiti que os lixos modernos tomassem conta dos ouvidos do menino. Existe tanta porcaria por ai que tem ficado cada vez mais dificil apertar o play. Ainda bem que os "velhotes" seguem firmes e fortes (uns nem tão firmes assim) na estrada. Apesar de me lembrarem que eu também estou envelhecendo, eles mantêm viva de alguma forma, a menina que colecionava posters nas paredes do quarto.

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